kill bill
com as facadas que me deram, lapido minha versão mais perigosa.
vingança
vin·gan·ça
sf
1 Ação ou efeito de vingar-se.
2 Ato lesivo praticado em nome próprio ou alheio, contra uma pessoa, para vingar-se de dano ou ofensa por ela causada; desforço, desforra, represália, revanche, vendeta, vindita.
3 Qualquer castigo ou punição.
nem um pio. passo a língua nos lábios, engulo seco. uma sensação familiar de ceder aos impulsos, soltar verdades, postar indiretas, mensagens desaforadas uma atrás da outra. respiro: 4-4-4-4. karma is a bitch, e creio mais em vadias de cara fechada que sonsas amigáveis. reza a psicologia das profundezas que, quando você finalmente acorda para si mesma e trabalha no silêncio da sua estratégia, os aliados aparecem na estrada. mesmo sem respostas, o tempo é um rei que aprendi a saudar e confiar cegamente.
líderes de outrora, preconceituosos de plantão, ex-amigas. uma vez por semana dou uma atualizada na lista vermelha de quem me fita com atenção a uma distância segura. vingança: palavra feia pra um sentimento de superação que pode ser ferramenta de crescimento pessoal, autoconhecimento no seu formato mais cru. não acho que eu seja vingativa, respondi do divã. que outra nomenclatura para quem vai atrás de alguma justiça divina sem atacar ninguém? se é isso: sou.
sete anos de análise praticamente ininterrupta me transformaram de uma cadela que atacava sem qualquer racionalidade em uma loba estratégica. pro terror de quem me detesta, prossigo e até me surpreendo com as bênçãos celestes toda vez que me levanto depois de um escorregão ou outro. devolvo para o bolso o meu talento de traumatizar as próximas cinco gerações. o maior castigo para algumas pessoas é ser, pelo resto de suas vidas, quem são. que dádiva sequer entender isso.
as pessoas esquecem que eu nasci sob um sol em áries grau 0 em uma sexta-feira de lua cheia e me viro em menos de 30 se precisar. as pessoas são mais ingênuas do que pensam quando confundem silêncio com derrota. quanta gente equivocada, digito e envio. são 12h37 e com essas injúrias me ocupo construindo: uma cintura menor, um salário CLT mais parrudo, insumos para o meu primeiro livro. CoM aS pEdRaS qUe Me jOgAm faço joias, construo munições, remendo cicatrizes. mais lúcida e menos crente na bondade humana ou em meias-palavras, promessas vazias. confia sempre desconfiando, ouvi desde cedo em caronas para a escola ou alguma festa, daquele que me fez e ensina até hoje algumas coisas.
tiro algum prazer dessa evolução silenciosa que obriga quem me menospreza a se calar diante dos fatos. afio minhas palavras nos absurdos que quem mal me conhece aumenta e ventila por aí. kill bill cheia de motivos e fúria. senna ultrapassando prost sem ligar pro restante da escuderia. ebony em um freestyle venenoso colocando em barras toda a sua superioridade frente aos atuais rappers da cena masculina brasileira. repito, com certo peso no coração: tem gente que não vou perdoar nunca. e ainda que caia uma ou duas lágrimas rebeldes, fortuitas, sigo ok quanto a isso. lady di, envolta em cetim preto e revanche, me entenderia.
dia desses soube que familiares de um antigo companheiro me maldiziam “pouco culta” e pouco inteligente para estar ao lado dele. como se uma mulher não pudesse ter uma bunda enorme, usar um moletom do tupac mostrando o dedo do meio e saber a gramática na ponta da língua - tudo coexistindo num mesmo (caótico) ser. como se meu estilo, repertório cultural e vivências precisassem da validação de gente diplomada, antiquada e que se diz progressista. só agradeço: a ausência de empatia, os livramentos todos, esse combustível em forma de cólera que alimenta a minha escrita.🔪





uau!!