muito pouco
obrigada, podem ficar com o troco.
carlos, me despencar até a sua casa apenas para servir de entretenimento erótico não é date. a sua inabilidade para demonstrar afeto não é sexy. aprenda a olhar no olho, criar conexão e um clima para o sexo, mesmo casual. sabe por quê, ao ficar sozinho, você entra no looping mental de questionamento do quão bom foi para o outro lado? porque você sabe que oferece tanquinho, belas tatuagens e algum prazer. mas para por aí. muito pornô para pouco carinho, muita performance para um gozo quase mecânico. seu apartamento é deslumbrante, seus cachorros são incríveis - não rola dizer o mesmo sobre o seu gosto musical, uma pena. me recuso a ficar nua com quem não sabe quem foi george harrison. parabéns pelo mínimo: pegar a camisinha sem ter que implorar. pra mim, é pouco.
henrique, enviar reels na DM não é flerte. que dirá presença. parei de abrir suas mensagens porque os conteúdos, além de tudo, eram em sua maioria desinteressantes. além disso, percebi que não quero estar com alguém que segue duzentas mulheres peladas que aparecem na sugestão de amizade. odeio que você me chame de amor na frente dos teus amigos, que me comem com os olhos numa tarde de domingo festiva. preciso de alguém que expresse tesão de maneira mais explícita, e seja constante. enchi a boca para responder quando você perguntou o que somos: eu? mulher solteira. deixei o livro que você me deu - e pediu de volta, mico - na portaria; faz mais de uma semana que está lá. ainda torço pela terapia em dia! perdão, muito pouco.
diógenes, a casualidade dos nossos encontros não me traz mais qualquer fisgada íntima. nossos encontros foram ótimos para reaquecer em mim a libido, o desejo, meu erotismo pessoal. mas vir na minha casa, transar e ir embora não me preenche mais. trocar apenas pelo instagram me bate de forma rasa, pífia. nenhum verificado apetece a minha disponibilidade para uma mamada qualificada. sem drinques e jantares, sem papinho de manutenção, sem acordar junto, nem contato salvo no whatsapp. você volta, sempre, pra provar pra si mesmo que eu ainda sou opção no seu catálogo de loiras e patricinhas. acho você talentoso, o que me excita, mas só. já não ofereço a mesma moral, você mesmo constata. fui, tchau, era. pouquíssimo, sorry.
gustavo, eu até ia deixar você de fora dessa. mas, sabe como é: algo na nossa dinâmica foi me deixando desconfortável - você decorou todos os sinais do meu corpo, a marca de dermatite nas coxas, o bico perfeito do meu peito, mas você não lê o que eu escrevo. pior, não faz a mínima questão. que importa se vi ou não outros caras quando você estava fora da cidade? num contexto de frieza e pouca interação, natural. tenho alguns meses de coração reconstruído à sua frente, mas lido bem com profundidade e cadência. além do que, sou perigosamente bem posicionada; sei bem o que quero, quando e por quê. assusta, eu sei. uma pena, sua vez passou. obrigada pelos rolês memoráveis e por devolver parte do meu tempo cotidiano, cada dia mais precioso. podia ser tão mais; pro que eu mereço, quase nada.
o silêncio do meu apartamento ecoando pelas manhãs. um gato de cada lado ao acordar, áudios extensos dos meus amigos no menu de cada café da manhã, novas bolsas e garimpos, o cabelo recém-feito no salão onde sou xodó, o carinho & torcida de quem, de fato, me vê, me atravessa, me lê: sou riquíssima, e não falo de dinheiro. podem ficar com o troco. ;)
*os nomes nesse texto, obviamente, foram alterados. o restante, porém, pra infelicidade da mulher que se relaciona com homens, tudo verdade.




amei!!! nossa, muito perfeito
seria engraçado se eles lessem, porém o attention spam não permite… tanto pra ler o texto, quanto pra viver momentos com uma mulher